sexta-feira, 8 de junho de 2012



A Sete Chaves
Ela é a moça que sonha
O tempo não lhe escorregar
Seus segredos
Não vem a tona
Porque hão de se preservar
Como pode assim um coração
A sete chaves se trancar
Pode esconder a emoção
Com tanta ternura no olhar
É só lembrar pra ver
É, parece que ela tem na ponta dos dedos
O caminho que trilhar
Parece sofrer com a espera de tudo que sonhar
Mas é seu jeito de levar
Qualquer coisa que lhe destoa
É pouca para lhe faltar
Sabe a hora de rir à toa
E também a hora de chorar
Ela pode ter um novo amor
Para em mil pedaços revirar
Peca na incerteza da paixão
Mas num passo sabe contornar
É só lembrar pra ver
É, parece que ela sente as cores do vento
O destino que traçar
Parece temer a força que vem de dentro
Encantar, pra nunca mais deixar
Pra sempre me levar



quarta-feira, 30 de maio de 2012

O Cabo Branco (Paulo Miranda)

Olá Pessoal! Fui conhecer o Farol de Cabo Branco em João Pessoa - PB e no local havia uma placa com o soneto "O Cabo Branco" de Paulo Miranda, o qual resolvi compartilhar com vocês:





O Cabo Branco
(Soneto de Paulo Miranda)

Soprado pelos ventos de outros mundos,
E gerado na existência de outras eras,
O Cabo Branco na passagem dos segundos
Vai assistindo o passar das primaveras.

Desafiando a própria natureza,
Sua ponta ligando o continente;
Sublime, senhor desta grandeza
Banhado pela luz do sol nascente.

E a sutileza das ondas lhe beijando,
Vai uma, vem outra, se evolando,
Se esvaindo no espaço cor de anil.

E do verde da flora ele se veste,
Recebe o soprar do vento agreste,
Este acidente geográfico do Brasil!



Caso alguém tenha ficado curioso sobre o farol, segue uma foto dele também:



                                                               



O Farol do Cabo Branco localiza-se sobre uma falésia na praia de Cabo Branco, no bairro de mesmo nome, em João Pessoa, capital do estado da Paraíba. Situa-se cerca de 800 metros ao norte da Ponta do Seixas, o ponto mais oriental do Brasil continental. É um dos mais importantes e visitados cartões Postais da Capital Paraibana.
Com uma torre triangular em concreto, três projeções pontiagudas em forma de asa a 3,5 m do chão, o farol é pintado de branco com uma faixa horizontal preta logo acima das asas. Há décadas, muito antes de a cidade de João Pessoa entrar no roteiro turístico, o Farol do Cabo Branco já era conhecido por marcar "o ponto mais oriental das Américas".
O projeto do monumento é de Pedro Abraão Dieb, professor aposentado do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que faleceu no dia 26 de novembro de 2007, em João Pessoa. Foi inaugurado em abril de 1972, governo de Emílio Médici, plena ditadura militar. O Farol do Cabo Branco tem uma forma triangular única no país. Os seus projetistas tiveram a intenção de representar uma planta de sisal, ao desenhar o farol. O sisal representou um dos ciclos econômicos mais duradouros e lucrativos no estado da Paraíba.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Farol_do_Cabo_Branco



quinta-feira, 26 de abril de 2012

Aprendendo Economia: PIB X PNB

Diariamente ouvimos notícias que mencionam o tal PIB, por vezes também mencionam o PNB, mas o que cada um representa? É o que vamos descobrir com o texto abaixo:



 



Qual a diferença entre PIB e PNB?


Um dos principais indicadores que demonstram a realidade econômica de um país ou região é o PIB (Produto Interno Bruto). Tal indicador nada mais é do que a mensuração de todos os bens e serviços, ou seja, de toda a riqueza produzida. Uma das maiores confusões em relação ao PIB é a diferença entre o mesmo e outro importante indicador econômico: o PNB (Produto Nacional Bruto).

Embora o conceito de PIB seja preferido na maior parte do mundo, como no Brasil e Grã Bretanha, o PNB é utilizado especialmente em determinados países, como nos Estados Unidos, por exemplo.

O PIB representa todas as riquezas produzidas dentro das fronteiras de uma região, independentemente do destino dessa renda. O conceito de PIB também descarta a entrada de verbas do exterior. O que é levado em consideração é simplesmente aquilo que é produzido dentro das fronteiras da região ou país.

Já o PNB considera todos os valores que um país, por exemplo, recebe do exterior, além das riquezas que foram apropriadas por outras economias, ou seja, os valores que saem. É justamente essa a diferença: o PNB considera as rendas enviadas e recebidas do exterior, enquanto o PIB, não.

Desta forma, em países em desenvolvimento, como o Brasil, o PNB normalmente é menor que o PIB, uma vez que as transnacionais enviam grande parte de seus lucros para seus países de origem. Da mesma forma, em países com muitas empresas de atuação global, como nos Estados Unidos, o PNB tende a ser maior, já que há uma grande absorção dos lucros gerados por suas empresas no exterior.













quinta-feira, 12 de abril de 2012

Qual é o melhor modelo de educação no mundo?

Gustavo Ioschpe, economista e colunista de VEJA, cita os modelos de educação com maior qualidade no mundo e como conseguiram ser bem sucedidos em seus países.




http://veja.abril.com.br/multimidia/video/qual-e-o-melhor-modelo-de-educacao-no-mundo

domingo, 11 de março de 2012

Gramática



Gramática

O substantivo
É o substituto do conteúdo

O adjetivo
É a nossa impressão sobre quase tudo

O diminutivo
É o que aperta o mundo
E deixa miúdo

O imperativo
É o que aperta os outros e deixa mudo

Um homem de letras
Dizendo idéias
Sempre se inflama

Um homem de idéias
Nem usa letras
Faz ideograma

Se altera as letras
E esconde o nome
Faz anagrama

Mas se mostro o nome
Com poucas letras
É um telegrama

Nosso verbo ser
É uma identidade
Mas sem projeto

E se temos verbo
Com objeto
É bem mais direto

No entanto falta
Ter um sujeito
Pra ter afeto

Mas se é um sujeito
Que se sujeita
Ainda é objeto

Todo barbarismo
É o português
Que se repeliu

O neologismo
É uma palavra
Que não se ouviu

Já o idiotismo
É tudo que a língua
Não traduziu

Mas tem idiotismo
Também na fala
De um imbecil


Composição: Sandra Peres e Luiz Tatit



quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia internacional da mulher!!!



Toda mulher é uma viagem
ao desconhecido. Igual poesia
avessa ao verso e à trucagem,
mulher é iniciação do dia,

promessa, surpresa, miragem.
De nada adiantam mapas, guias,
cenas ensaiadas ou pilhagens.
Controverso ser, mulher é via

de mão única, abismo, moagem.
É também risco máximo, magia,
caminho íngreme na paisagem.

Simplificando: mulher é linguagem,
palavra nova, imagem que anistia
o ser, o vir-a-ser e outras bobagens

Rubens Jardim

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quem é Salman Khan?


Conheça o professor que faz sucesso na internet e como funciona a Khan Academy, coleção de aulas em vídeo que agora ganha versão em português.


1- Quem é Salman Khan? É o engenheiro e matemático criador da Khan Academy, uma instituição sem fins lucrativos que publica vídeo aulas no YouTube e permite que qualquer pessoa as acesse. Suas 2 700 aulas em vídeo já foram vistas mais de 115 milhões de vezes, em pouco mais de cinco anos. Seus alunos estão espalhados pelo mundo e incluem até Bill Gates, que acompanha as aulas com seus filhos.

2- O que ele fez? Produziu e publicou vídeos e exercícios gratuitos sobre diversas áreas do conhecimento. Há quase cinco anos, Khan ajudava uma prima de 12 anos que tinha dificuldade em Matemática. Ela estava em New Orleans, ele, em Boston. Nesse período, Khan chegou a criar um software de exercícios, mas depois descobriu que a melhor solução seria gravar vídeos e colocá-los no YouTube, pois poderia ensinar uma vez e ser visto várias vezes. No começo, os alunos eram outros parentes. Em um mês, chegaram os primeiros e-mails de agradecimento de estranhos. Os vídeos começaram a ser vistos centenas, depois milhares de vezes. Em 2009, abandonou o emprego para dedicar-se integralmente ao projeto.

3- Como funciona a Khan Academy? O site é basicamente uma coleção de links para os vídeos no YouTube. O forte é a Matemática, mas há aulas de Biologia, Química, Física e finanças. Os vídeos são muito simples: ouve-se apenas a voz do professor, e na tela preta vão surgindo os traços que ele desenha numa prancheta conectada a seu computador. As aulas são curtas: têm entre 10 e 15 minutos, e os temas são sempre bem específicos.

4- As aulas já foram traduzidas para o português? Parte delas sim. A Fundação Lemann, em parceria com o Instituto Natura e com o Instituto Península, está traduzindo as aulas da Khan Academy para o português. Atualmente, estão disponíveis no site da Lemann 39 aulas de Aritmética, 15 de Física e 12 de Química. Elas serão usadas em um projeto piloto em três escolas da rede municipal de ensino de São Paulo, com seis turmas de 5º ano. Um grupo de professores vai ser treinado para levar os vídeos e os exercícios de Aritmética para a sala de aula. "Essa ferramenta não substitui o professor, de maneira nenhuma", explica Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann. "Queremos que ela sirva como um instrumento para que os profissionais possam planejar suas aulas de acordo com as necessidades dos alunos", diz.


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Há uma reportagem interessante no Acervo Digital Veja, pág. 65 da edição de 01/02/2012:


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Quase Sem Querer - Legião Urbana




Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranqüilo e tão contente.

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Enquanto houver sol - Titãs



Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma idéia vale uma vida...

Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós
Algo de uma criança...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol...

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando
Que se faz o caminho...

Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós
Aonde Deus colocou...

Enquanto houver sol
Enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol
Enquanto houver sol...(3x)

sábado, 21 de janeiro de 2012


Este é o Prólogo



Deixaria neste livro
toda minha alma.
Este livro que viu
as paisagens comigo
e viveu horas santas.

Que compaixão dos livros
que nos enchem as mãos
de rosas e de estrelas
e lentamente passam!

Que tristeza tão funda
é mirar os retábulos
de dores e de penas
que um coração levanta!

Ver passar os espectros
de vidas que se apagam,
ver o homem despido
em Pégaso sem asas.

Ver a vida e a morte,
a síntese do mundo,
que em espaços profundos
se miram e se abraçam.

Um livro de poemas
é o outono morto:
os versos são as folhas
negras em terras brancas,

e a voz que os lê
é o sopro do vento
que lhes mete nos peitos
— entranháveis distâncias. —

O poeta é uma árvore
com frutos de tristeza
e com folhas murchadas
de chorar o que ama.

O poeta é o médium
da Natureza-mãe
que explica sua grandeza
por meio das palavras.

O poeta compreende
todo o incompreensível,
e as coisas que se odeiam,
ele, amigas as chama.

Sabe ele que as veredas
são todas impossíveis
e por isso de noite
vai por elas com calma.

Nos livros seus de versos,
entre rosas de sangue,
vão passando as tristonhas
e eternas caravanas,

que fizeram ao poeta
quando chora nas tardes,
rodeado e cingido
por seus próprios fantasmas.

Poesia, amargura,
mel celeste que mana
de um favo invisível
que as almas fabricam.

Poesia, o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
chamas e corações.

Poesia é a vida
que cruzamos com ânsia,
esperando o que leva
nossa barca sem rumo.

Livros doces de versos
são os astros que passam
pelo silêncio mudo
para o reino do Nada,
escrevendo no céu
as estrofes de prata.

Oh! que penas tão fundas
e nunca aliviadas,
as vozes dolorosas
que os poetas cantam!

Deixaria no livro
neste toda a minha alma...

(Federico García Lorca, in "Poemas Esparsos")
(Tradução de Oscar Mendes)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Há Tempos - Legião Urbana




Parece cocaína mas é só tristeza, talvez tua cidade.

Muitos temores nascem do cansaço e da solidão

E o descompasso e o desperdício herdeiros são

Agora da virtude que perdemos.

Há tempos tive um sonho

Não me lembro não me lembro

Tua tristeza é tão exata

E hoje o dia é tão bonito

Já estamos acostumados

A não termos mais nem isso.

Os sonhos vêm e os sonhos vão

O resto é imperfeito.

Disseste que se tua voz tivesse força igual

À imensa dor que sentes

Teu grito acordaria

Não só a tua casa

Mas a vizinhança inteira.

E há tempos nem os santos têm ao certo

A medida da maldade

Há tempos são os jovens que adoecem

Há tempos o encanto está ausente

E há ferrugem nos sorrisos

E só o acaso estende os braços

A quem procura abrigo e proteção.

Meu amor, disciplina é liberdade

Compaixão é fortaleza

Ter bondade é ter coragem

E ela disse:

- Lá em casa tem um poço mas a água é muito limpa.

 
 

(Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Marcelo Bonfá)






domingo, 15 de janeiro de 2012

Indicadores sociais na contramão do crescimento econômico

      Estudantes protestam em Brasília pela ampliação dos investimentos em educação

Embora ocupe o posto de sexta maior economia do mundo, Brasil apresenta índices de educação, saúde e inovação muito aquém dos países ricos da OCDE


GAZETA DO POVO - Publicado em 08/01/2012 | Anderson Gonçalves


Mesmo tendo sido considerado no fim do ano passado a sexta economia mundial, o Brasil passaria vergonha se ingressasse na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), apelidada de “clube dos países ricos”. Enquanto a riqueza nacional tem crescido a olhos vistos, o mesmo não se pode dizer ao avaliar seus indicadores sociais. Quando se comparam os números brasileiros relacionados a saúde, educação e inovação com os de outras nações, o país continua na rabeira, perdendo para vizinhos, como Chile e Argentina, ou nações do leste europeu, como Estônia e Eslováquia.

O Brasil já foi convidado para fazer parte da OCDE, organização que reúne 34 países, a maioria deles com economia forte e qualidade de vida. No primeiro quesito os brasileiros estão em condição privilegiada, visto que no fim de 2011 uma empresa de consultoria britânica colocou o país à frente do Reino Unido, que desceu para o sétimo lugar no ranking das maiores economias do mundo. Já no segundo item, ainda há muito o que avançar. Relatórios divulgados pela própria OCDE no ano passado indicam que em três áreas o país mantém indicadores que em nada condizem com seu crescimento econômico.


Acesso à educação

Uma delas é a educação. De acordo com a OCDE, em 2009, só 41% dos brasileiros com idade entre 25 e 64 anos de idade haviam concluído o ensino secundário, equivalente ao ensino médio. Na Eslo­­vá­­quia e na República Tcheca, países europeus com uma economia mais fragilizada que a do Brasil, esse porcentual chega a 91%. Já os que terminaram o ensino superior representam apenas 11%. Na Rússia, mais da metade da população nessa faixa etária (54%) fez curso superior.

“Relegar a educação a segundo plano foi o maior erro coletivo do Brasil”, avalia Priscila Cruz, diretora-executiva do Movimento Todos pela Educação, que tem como objetivo ampliar o acesso à educação básica de qualidade. Na opinião dela, o Brasil tem até avançado em alguns aspectos ao longo dos últimos 20 anos, mas em ritmo lento. “Conseguimos colocar grande parte das crianças na educação básica, mas o abandono no ensino médio ainda é gigantesco. Temos 3,7 milhões de crianças e jovens em idade escolar fora da escola, o que equivale a toda a população do Uruguai”, compara.


Investimentos

Para Luciano Nakabashi, professor do Departamento de Eco­­nomia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o Brasil não tem investido suficientemente nessa área. “Temos mais pessoas estudando, mas a qualidade do ensino ainda é baixa. Investir nessa área é fundamental para que o país tenha um crescimento elevado não apenas em sua economia”, avalia. Os poucos investimentos para estruturação da educação básica e formação de professores são alguns dos pontos fracos apontados.

A escassez de investimentos na educação fica evidente quando confrontados alguns números da OCDE. Dentre 40 países (os 34 da OCDE mais Brasil, África do Sul, Índia, Indonésia, China e Rússia.), o Brasil é o segundo com o menor volume de gastos por estudante. Entre recursos públicos e privados, despendeu-se 2.416 dólares por aluno brasileiro em 2008. Na Suíça, país que aparece na primeira colocação, o valor gasto por estudante é de 14.977 dólares, ou seja, cinco vezes mais. “É necessário investir sobretudo na formação dos professores”, entende Fernanda Simões da Silva, diretora de políticas e projetos educacionais da Secretaria Estadual de Educação do Paraná.


Pouca inovação e pesquisadores em falta

Se no campo social o Brasil ainda faz feio diante dos membros da OCDE, na área de inovação tecnológica o país não tem um desempenho muito superior. O relatório da organização sobre esse segmento revela a mesma discrepância verificada nas áreas de saúde e educação. O número de patentes, marcas registradas (trademarks) e doutores em atividade são ínfimos perto do que dispõem outras nações desenvolvidas.

Exemplo gritante é a quantidade de patentes (direitos exclusivos sobre uma invenção) e marcas registradas conferidas no país. Levantamento de 2009 indicou a existência de uma marca registrada per capita no Brasil, enquanto a média de patentes ficou em zero. Na Suíça esse número foi de 221 marcas e 115 patentes. Até mesmo a África do Sul obteve um desempenho superior, com três marcas e uma patente registradas por pessoa.


Ousadia

O presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvol­­vimento das Empresas Inovado­­ras (Anpei), Carlos Eduardo Cal­­manovici, reconhece que os avanços ainda são pequenos quando comparados ao potencial econômico do Brasil. “In­­vestir em inovação representa um risco, tanto tecnológico quanto comercial. Por isso, algumas empresas ainda não reconhecem o seu valor. O país precisa de investimentos e políticas públicas mais ousadas, que sirvam de estímulo à inovação. Hoje vivemos um momento bom, com uma economia forte, que nos dá suporte para isso”, avalia.

Uma das explicações para a baixa produção científica está na quantidade igualmente reduzida de pessoas com doutorado no país. De acordo com a OCDE, o Brasil tinha em 2009 0,6% de doutores na faixa etária compatível com esses estudos. O relatório não especifica qual é essa faixa etária, mas nas universidades brasileiras a formação de doutores é completada geralmente depois dos 30 anos. Na Suíça o porcentual era de 3,4%.

Calmanovici concorda que a deficiência de mão de obra é um dos fatores que mais pesam nos baixos índices de inovação. “A inovação exige um profissional altamente qualificado. É preciso não apenas competência técnica, mas que seja um pesquisador entendedor, com sentido e noção do mercado. Apesar da qualidade das nossas universidades, ainda existe dificuldade para formar esse profissional”, diz.