quarta-feira, 9 de março de 2011

Dia da Mulher/atrasado



Com um dia atraso,mas antes tarde que nunca....

Não poderia deixar de aproveitar esta data.Ontem, dia 8 de março,dia internacional da mulher.

Posto hoje, com a esperança que a minha intenção de homenagem seja aceita.=D

Bem,não que eu ache justo apenas um dia de homenagens,sei que sou suspeita em dizer isso,pois faço parte desse grupo seleto de seres,unidos por um cromossomo X.

Não venho aqui homenagear a todas as mulheres,e peço desculpas por isso.Usarei esse espaço para,de certa forma,agradecer a algumas mulheres que fazem parte da minha vida,dessas que uma homenagem é muito pouco pra defini-las.
Pois bem,apesar do meu trocadilho,um tanto infeliz,com a genética feminina.Acredito que ser mulher é muito mais que carregar uma definição genética no seu DNA.Na verdade a genética é apenas um detalhe ínfimo,considerando o fato de que muitas carregam um XX,porém não conseguem se definir como mulheres.Confuso!! como o pensamento feminino,eu sei..¬¬.Prometo tentar esclarecer.





Sou rodeada de mulheres, que são amigas,irmãs, comparsas ,cúmplices,ajudadoras,guerreiras.
Pra quem olha de longe e superficialmente, diz que somos apenas meninas brincando de viver.Talvez sejamos meninas mesmo,mas que deixamos de brincar a muito tempo.Levando as coisas a sério,e tentando sobreviver a cada desafio,é assim que vamos caminhando lado a lado.

E graças a essa companhia espetacular,posso tentar definir o que é ser mulher, pra mim.
Então vamos lá.....
Ser mulher é:
Saber que, as vezes ,a única coisa certa a fazer, é enxugar as lágrimas e continuar caminhando,mesmo que algumas gotas teimosas insistam em molhar o caminho;

Se fazer gigante,quando alguém próximo precisa de seu apoio;

Esquecer da própria dor ,pra tentar curar a dor do outro;

Conseguir tomar decisões certas,quando nada mais importa e seu mundo desaba;

Saber se colocar no lugar do outro,sentir doer em si a dor do outro;

Ter coragem de se lançar, a sonhos impossíveis e causas perdidas, com toda a força da sua alma;

Ser romântica e sonhadora,mesmo quando não existe romantismo em sua história;

Acreditar que amores são eternos,mesmo quando interrompidos pela morte;

Não desistir de ninguém,mesmo daqueles que todos dizem não valer a pena;

Chorar em filmes de romance e drama,como se fosse a própria história retratada ali;

Rir enquanto chora,chorar enquanto ri tudo durante uma conversa com a irmã;

Na verdade é muito mais que isso,mas seria impossível completar uma definição;

Mas deixo essa singela homenagem as minha irmãs de coração;


Cegueira Bendita - Florbela Espanca





Ando perdida nestes sonhos verdes
De ter nascido e não saber quem sou,
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou!
Não vejo nada, tudo é morto e vago…
E a minha alma cega, ao abandono
Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
´Stendendo as asas brancas cor do sonho…
Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo
E não ver nada nesse mar sem fundo,
Poetas meus irmãos, que triste sorte!…
E chamam-nos a nós Iluminados!
Pobres cegos sem culpas, sem pecados,
A sofrer pelos outros té à morte!
Florbela Espanca - Trocando olhares - 24/04/1917

Momento Nostalgia - Punky, A Levada da Breca

 

Punky Brewster

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Punky Brewster (Punky, A Levada da Breca Brasil) foi uma série televisiva filmada durante os anos de 1984 a 1988 e contando com um total de 88 episódios. Nos Estados Unidos, a série foi exibida na NBC de 16 de setembro de 1984 até 7 de setembro de 1986, tendo sua re-exibição novamente por "Syndication" de 26 de setembro de 1987 até 27 de maio de 1988.
No Brasil, a série foi transmitida pelo SBT com o nome de Punky, A Levada da Breca, repetindo o mesmo sucesso dos Estados Unidos. Atualmente, a série foi comprada pela Rede Bandeirantes de televisão. A dublagem original realizada nos estúdios da Maga, pertence exclusivamente ao SBT, por essa razão a série foi totalmente redublada. A primeira reexibição da série ocorreu em 25 de dezembro de 2008, com um especial de natal. A série virou também desenho, e na época do seu lançamento a personagem ganhou vários produtos que foram lançados no mercado.

História
Penelope 'Punky' Brewster é uma garota engraçada e bem humorada, abandonada por seus pais. O pai de Punky deixou a família quando ela tinha dois anos, e anos mais tarde, foi abandonada por sua mãe que a levou até um supermercado em Chicago e desapareceu. Punky então fica sozinha, apenas com a companhia do seu cão Pinky (Brandon). Logo depois, ela descobre um apartamento vago em um prédio local e passa a viver lá.
O prédio era gerenciado pelo fotógrafo Arthur Bicudo (Henry Warnimont), um senhor viúvo. Punky rapidamente se torna amiga de Cátia (Cherry Johnson), uma garota que vive no andar acima do apartamento de Arthur, e sua avó Luíza (Betty Johnson). Quando Arthur descobre Punky no apartamento vazio adjacente ao seu, ele ouve a história da garota e se emociona, se tornando como um pai para a garota, a adotando mais tarde.
Devido a dificuldade de comportamento da garota, a série é repleta de trapalhadas e situações inusitadas, contando com a presença de mais algumas personagens amigas de Punky, como Anderson Junior (Allen Anderson), e a antipática Margot (Margaux Kramer).
Há vários episódios memoráveis durante a série, como o qual Cátia acaba presa em um refrigerador velho durante um jogo de esconde-esconde (Se escondendo dentro do refrigerador e não conseguindo sair depois, consequentemente sofrendo de falta de oxigênio) e Punky salva sua vida aplicando técnicas de reanimação cardiorrespiratória que ela aprendeu na escola. Há também um dos mais sérios episódios da série no qual trata de abuso sexual de menores.


terça-feira, 8 de março de 2011

Mulher - Erasmo Carlos (Composição: Erasmo Carlos e Narinha)

Dizem que a mulher é o sexo frágil
Mas que mentira absurda
Eu que faço parte da rotina de uma delas
Sei que a força está com elas

Vejam como é forte a que eu conheço
Sua sapiência não tem preço
Satisfaz meu ego se fingindo submissa
Mas no fundo me enfeitiça

Quando eu chego em casa à noitinha
Quero uma mulher só minha
Mas pra quem deu luz não tem mais jeito
Porque um filho quer seu peito
O outro já reclama a sua mão
E o outro quer o amor que ela tiver
Quatro homens dependentes e carentes
Da força da mulher

Mulher, mulher
Do barro de que você foi gerada
Me veio inspiração
Pra decantar você nessa canção

Mulher, mulher
Na escola em que você foi ensinada
Jamais tirei um dez
Sou forte mas não chego aos seus pés


domingo, 6 de março de 2011

Clarice Lispector - Biografia/Frases






Nascida Haia Pinkhasovna Lispector (Chechelnyk, 10 de dezembro de 1920Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1977) foi uma escritora e jornalista brasileira, nascida na Ucrânia.


De origem judaica, terceira filha de Pinkouss e de Mania Lispector. A família de Clarice sofreu a perseguição aos judeus, durante a Guerra Civil Russa de 1918-1921. Seu nascimento ocorreu em Chechelnyk, enquanto percorriam várias aldeias da Ucrânia, antes da viagem de imigração aocontinente americano. Chegou no Brasil quando tinha dois meses de idade.
A família chegou a Maceió em março de 1922, sendo recebida por Zaina, irmã de Mania, e seu marido e primo José Rabin. Por iniciativa de seu pai, à exceção de Tania – irmã, todos mudaram de nome: o pai passou a se chamar Pedro; Mania, Marieta; Leia – irmã, Elisa; e Haia, Clarice. Pedro passou a trabalhar com Rabin, já um próspero comerciante.
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade do Recife, onde passou parte da infância. Falava vários idiomas, entre eles o francês e inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche.
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela.[carece de fontes] Faleceu no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi enterrada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro.




"...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda......"

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil."

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."

(Clarice Lispector)

I Don't Want To Talk About It/Composição: Rod Stewart


40-year-old Daryl from East Sussex is a cabinet maker by day, but is following his passion in his brother's memory.







I can tell by your eyes
That you've probably been crying forever
And the stars in the sky
Don't mean nothing to you, they're a mirror
I don't want to talk about it
How you broke my heart
If I stay here just a little bit longer
If I stay, won't you listen to my heart, my heart?
If i stand all alone
Will the shadow hide the colors of my heart
Blue for the tears
Black for the night's fears
The star in the sky
Don't mean nothing to you, they're a mirror
I don't want to talk about it
how you broke my heart
If I stay here just a little bit longer
If I stay here, won't you listen to my heart, my heart?
All i want is to hold you back
forget all the bad times
slowly taste your neck
baby, let me take you to a ride to the sky
make you feelin' high, so fly, hum hum, damn right
sweetdreams are we
that make it girl it's all true, i never meant to fake it girl
you know the sun doesn't shine forever
so close your eyes and let us shine together.



sábado, 5 de março de 2011

Monte Castelo - Legião Urbana (Composição: Renato Russo - recortes do Apóstolo Paulo e de Camões)

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.

O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.

É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.

Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.




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Acesse também: 

Crença/ Lenine_ Composição: Lenine

Eu só penso em você

Depois que eu penso em mim

E eu penso tanto em nós dois

Sei que é de cada um

E acho até comum

Pensar assim de nós dois

Vai que a gente pensa igual

E acho isso normal

O igual da diferença

Cada um, todo ser

Tem sua crença

Eu só penso em você

Depois eu penso em mim

E eu me confundo em nós dois

Sei quando viramos um

E aparece um

Que se mistura em nos dois

Vem não há o que pensar

Melhor achar normal

Viver a diferença

Pensa não, deixa assim,

Que a vida pensa

Tanto por viver, tento não jogar

Pra baixo do tapete essa poeira.

Tonto de você tento não pensar besteira.

Tanto por você, para o nosso bem

Às vezes fica um com e o outro sem

Seja como for somos nós e mais ninguém

O que eu quero de você

E você quer de mim

Nós decidimos depois

Eu só penso em você

E tenho aqui pra mim

Que você pensa em nós dois.

Stairway To Heaven - Led Zeppelin




quarta-feira, 2 de março de 2011

Curiosidades - A Ciência do Palavrão (Parte III)

Com os palavrões, a história é outra. Eles deixam claro: Maria está sempre numa posição inferior. Note que a origem de fodido e seus equivalente não envolve o sexo apenas como uma ferramenta de submissão de homens contra mulheres. Mas de homens contra homens também. O estupro homossexual sempre foi, e segue sendo, uma forma eficaz de deixar claro num bando de machos quem é o chefe a violência sexual dentro dos presídios está aí para provar. A coisa é tão arraigada que até uma palavra inocente hoje, como coitado ou tadinho, sua variante mais fofa, significa aquele que sofreu o coito. Mas espera aí: como algo tão barra-pesada vira uma palavra até bonitinha? É o que vamos ver.

Que se dane!, diabos ou vá para o inferno já foi algo mais impactante. Claro: até décadas atrás não havia prognóstico pior que não ir para o céu quando morresse. Então, quando a idéia era insultar para valer, nada melhor que mandar alguém para o inferno. A perda de eficácia das palavras tabus relacionadas à religião é uma óbvia conseqüência da secularização da cultura ocidental, afirma Pinker.

Outra: quando a palavra câncer era sinônimo de morte, também não podia ser dita livremente. Nos obituários, a pessoa não morria de câncer, mas de uma longa enfermidade. Com os avanços no tratamento, a coisa mudou de figura, e câncer, apesar de ainda dar calafrios, virou uma palavra bem mais corriqueira.

As doenças em geral, na verdade, passaram por um processo parecido. Em Romeu e Julieta, de Shakespeare, por exemplo, há uma passagem dizendo: Que a peste invada as casas de ambos! Uma baita ofensa no século 16, quando a peste bubônica ainda era uma ameaça na Europa. Mas agora, no mundo limpo e cheio de antibióticos que a gente conhece, o xingamento shakespeariano parece inócuo.

E também há o inverso: palavras normais que viram tabu. Em algum momento da história do português um sujeito chamou pênis de pau. E uma palavra originalmente pura enveredava para o mau caminho. Nada mais comum: hoje ninguém se lembra mais de caralho como sendo a cestinha que ficava no alto do mastro dos navios, ou boceta como uma caixa pequena e redonda. A palavra vira tabu quando ganha um sentido simbólico, afirma o etimólogo Deonísio da Silva, da Universidade Estácio de Sá.

Mais uma mostra de como os palavrões flutuam com o espírito do tempo são as expressões que são tabu num lugar e não têm nada de mais em outro. Se você for a Portugal, vai ver que eles preferem cu e rabo para referirem-se às nádegas, e que coram quando alguém fala broche (o termo sujo para sexo oral).

Mas quem decide o que é palavrão e o que não é? Isso depende dos mecanismos de conservação da língua, que são o ensino, os meios de comunicação e os dicionários. As palavras relacionadas a sexo que não são palavrões são quase todas da literatura científica, como pênis e ânus, explica a lingüista Wânia de Aragão, da Universidade de Brasília. Não que isso impeça termos científicos de hoje, como pedófilo, de virar palavra suja um dia. A palavra esquizofrênico, por exemplo, nasceu na ciência, mas agora, com o aumento dos dignósticos de doenças mentais, caiu na boca do povo. E está virando xingamento.

Mas saber quais serão os palavrões do futuro é tão impossível quanto prever o futuro da tecnologia, da humanidade ou do Corinthians. O escritor e comediante inglês Douglas Adams, resumiu isso bem no clássico O Guia do Mochileiro das Galáxias. O livro diz que o palavrão mais sujo entre os habitantes dos outros planetas da Via Láctea é uma expressão bem conhecida dos terráqueos: bélgica.

Curiosidades - A Ciência do Palavrão (Parte II)

É o que pensa o psicólogo cognitivo Steven Pinker, da Universidade Harvard. Em seu livro mais recente, Stuff of Thought (Coisas do Pensamento, inédito em português), ele escreveu: Mais do que qualquer outra forma de linguagem, xingar recruta nossas faculdades de expressão ao máximo: o poder de combinação da sintaxe; a força evocativa da metáfora e a carga emocional das nossas atitudes, tanto as pensadas quanto impensadas. Traduzindo: palavrões são f*. Tão f* que nem os usamos só para xingar. Eles expressam qualquer emoção indizível, seja ruim, seja boa. Então, se um jogador de futebol grita palavrões depois de marcar um gol, ele não o faz por ser maleducado, mas porque só uma palavra saída direto do sistema límbico consegue transmitir o que ele está sentindo.

Outra prova de eficácia é que eles estreitam nossos laços sociais. Se você xingar alguém gratuitamente e o sujeito não ficar bravo, significa que ele é seu amigo. Daí que grupos de homens adoram usar cumprimentos como Fala, cuzão! Isso deixa claro que todos ali são íntimos. Perceber o xingamento como agressão ou ferramenta social depende do contexto, disse o psicólogo Timothy Jay, da Faculdade de Artes Liberais de Massachusetts, para a revista americana New Scientist. Num vestiário masculino, por exemplo, quem não xinga é o panaca.

Timothy Jay sabe do que está falando. É um expert em palavrões. Ele passou as últimas 3 décadas anotando as sujeiras que ouvia em lugares públicos. Juntou mais de 10 mil ocorrências. E colocou em números cientificamente rigorosos (na medida do possível) aquilo que você já sabia: foda e merda (ou fuck e shit) correspondem à metade de todos os palavrões ditos (em inglês) sem contar suas variantes.

Não é à toa. Como os palavrões nascem na parte primitiva do cérebro, quase todos versam sobre as duas coisas mais básicas da existência:

Veja só. Merda é um palavrão mais ofensivo que mijo, por sua vez mais pesado que cuspe, que nem palavrão é. Se você fosse excretar alguma dessas coisas na rua, essa também seria a ordem de impacto nas outras pessoas do mais para o menos chocante. Coincidência? Não. Não é por acaso que as substâncias que mais dão nojo também sejam vetores de doenças. A reação de repulsa à palavra é o desejo de não tocar ou comer a coisa, afirma o médico americano Val Curtis no livro Is Hygiene in Our Genes? (A Higiene Está nos Nossos Genes?, sem tradução para português).

Se é fácil entender por que excrescências são palavrões, não dá para dizer o mesmo sobre os termos ligados ao sexo. Afinal, sexo é bom, não? Não necessariamente. Ele traz altos riscos, incluindo doenças, exploração, pedofilia e estupro. Esses males deixaram marcas nos nossos costumes e emoções, diz Pinker. Foquemos em estupro. Do ponto de vista evolutivo, ele foi vantajoso para os homens. Pegar mulheres à força permitia que um macho fizesse dezenas, centenas de filhos, coisa que contou pontos no jogo da evolução. Já para as mulheres isso é o inferno. O papel delas é ter poucos, e bons, filhos. Então selecionar o pai é fundamental, e engravidar de alguém que a violentou, um baita prejuízo.

Daí foi natural que a expressão foder alguém virasse sinônimo de fazer um grande mal. Para entender isso melhor, complete a frase João ___ Maria para mostrar que eles transaram, usando apenas uma palavra. Quase todas as opções para preencher a lacuna são palavrões. Já os termos leves para relação sexual sempre carregam a preposição com: você pode dizer que João fez amor com Maria, dormiu com, fez sexo com, transou com... Todos os exemplos indicam que João e Maria participaram do sexo de igual para igual.

Com os palavrões, a história é outra. Eles deixam claro: Maria está sempre numa posição inferior. Note que a origem de fodido e seus equivalente não envolve o sexo apenas como uma ferramenta de submissão de homens contra mulheres. Mas de homens contra homens também. O estupro homossexual sempre foi, e segue sendo, uma forma eficaz de deixar claro num bando de machos quem é o chefe a violência sexual dentro dos presídios está aí para provar. A coisa é tão arraigada que até uma palavra inocente hoje, como coitado ou tadinho, sua variante mais fofa, significa aquele que sofreu o coito. Mas espera aí: como algo tão barra-pesada vira uma palavra até bonitinha? É o que vamos ver.

Que se dane!, diabos ou vá para o inferno já foi algo mais impactante. Claro: até décadas atrás não havia prognóstico pior que não ir para o céu quando morresse. Então, quando a idéia era insultar para valer, nada melhor que mandar alguém para o inferno. A perda de eficácia das palavras tabus relacionadas à religião é uma óbvia conseqüência da secularização da cultura ocidental, afirma Pinker.

Outra: quando a palavra câncer era sinônimo de morte, também não podia ser dita livremente. Nos obituários, a pessoa não morria de câncer, mas de uma longa enfermidade. Com os avanços no tratamento, a coisa mudou de figura, e câncer, apesar de ainda dar calafrios, virou uma palavra bem mais corriqueira.

As doenças em geral, na verdade, passaram por um processo parecido. Em Romeu e Julieta, de Shakespeare, por exemplo, há uma passagem dizendo: Que a peste invada as casas de ambos! Uma baita ofensa no século 16, quando a peste bubônica ainda era uma ameaça na Europa. Mas agora, no mundo limpo e cheio de antibióticos que a gente conhece, o xingamento shakespeariano parece inócuo.

E também há o inverso: palavras normais que viram tabu. Em algum momento da história do português um sujeito chamou pênis de pau. E uma palavra originalmente pura enveredava para o mau caminho. Nada mais comum: hoje ninguém se lembra mais de caralho como sendo a cestinha que ficava no alto do mastro dos navios, ou boceta como uma caixa pequena e redonda. A palavra vira tabu quando ganha um sentido simbólico, afirma o etimólogo Deonísio da Silva, da Universidade Estácio de Sá.

Mais uma mostra de como os palavrões flutuam com o espírito do tempo são as expressões que são tabu num lugar e não têm nada de mais em outro. Se você for a Portugal, vai ver que eles preferem cu e rabo para referirem-se às nádegas, e que coram quando alguém fala broche (o termo sujo para sexo oral).

Mas quem decide o que é palavrão e o que não é? Isso depende dos mecanismos de conservação da língua, que são o ensino, os meios de comunicação e os dicionários. As palavras relacionadas a sexo que não são palavrões são quase todas da literatura científica, como pênis e ânus, explica a lingüista Wânia de Aragão, da Universidade de Brasília. Não que isso impeça termos científicos de hoje, como pedófilo, de virar palavra suja um dia. A palavra esquizofrênico, por exemplo, nasceu na ciência, mas agora, com o aumento dos dignósticos de doenças mentais, caiu na boca do povo. E está virando xingamento.

Mas saber quais serão os palavrões do futuro é tão impossível quanto prever o futuro da tecnologia, da humanidade ou do Corinthians. O escritor e comediante inglês Douglas Adams, resumiu isso bem no clássico O Guia do Mochileiro das Galáxias. O livro diz que o palavrão mais sujo entre os habitantes dos outros planetas da Via Láctea é uma expressão bem conhecida dos terráqueos: bélgica.

Curiosidades - A Ciência do Palavrão (Parte I)


 

A Ciência do Palavrão

Os xingamentos mostram a evolução da linguagem, das sociedades e, de quebra, ajudam a desvendar o cérebro.

Texto Alezandre Versignasi e Pedro Burgos - Revista Superinteressante - Ed. 249/08

Por que diabos merda é palavrão? Aliás, por que a palavra diabos, indizível décadas atrás, deixou de ser um? Outra: você já deve ter tropeçado numa pedra e, para revidar, xingou-a de algo como filha-da -puta, mesmo sabendo que a dita nem mãe tem.

Pois é: há mais mistérios no universo dos palavrões do que o senso comum imagina. Mas a ciência ajuda a desvendá-los. Pesquisas recentes mostram que as palavras sujas nascem em um mundo à parte dentro do cérebro. Enquanto a linguagem comum e o pensamento consciente ficam a cargo da parte mais sofisticada da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões moram nos porões da cabeça. Mais exatamente no sistema límbico. É o fundo do cérebro, a parte que controla nossas emoções. Trata-se de uma zona primitiva: se o nosso neocórtex é mais avantajado que o dos outros mamíferos, o sistema límbico é bem parecido. Nossa parte animal fica lá.

E sai de vez em quando, na forma de palavrões. A medicina ajuda a entender isso. Veja o caso da síndrome de Tourette. Essa doença acomete pessoas que sofreram danos no gânglio basal, a parte do cérebro cuja função é manter o sistema límbico comportado. Elas passam a ter tiques nervosos o tempo todo. E, às vezes, mais do que isso. De 10 a 20% dos pacientes ficam com uma característica inusitada: não param de falar palavrão. Isso mostra que, sem o gânglio basal para tomar conta, o sistema límbico se solta todo. E os palavrões saem como se fossem tiques nervosos na forma de palavras.

Mas você não precisa ter lesão nenhuma para se descontrolar de vez em quando, claro. Como dissemos, basta tropeçar numa pedra para que ela corra o sério risco de ouvir um desaforo. Se dependesse do pensamento consciente, ninguém nunca ofenderia uma coisa inanimada. Mas o sistema límbico é burro. Burro e sincero. Justamente por não pensar, quando essa parte animal do cérebro fala, ela consegue traduzir certas emoções com uma intensidade inigualável.

Os palavrões, por esse ponto de vista, são poesia no sentido mais profundo da palavra. Duvida? Então pense em uma palavra forte. Paixão, por exemplo. Ela tem substância, sim, mas está longe de transmitir toda a carga emocional da paixão propriamente dita. Mas com um grande e gordo puta que o pariu a história é outra. Ele vai direto ao ponto, transmite a emoção do sistema límbico de quem fala direto para o de quem ouve. Por isso mesmo, alguns pesquisadores consideram o palavrão até mais sofisticado que a linguagem comum.

É o que pensa o psicólogo cognitivo Steven Pinker, da Universidade Harvard. Em seu livro mais recente, Stuff of Thought (Coisas do Pensamento, inédito em português), ele escreveu: Mais do que qualquer outra forma de linguagem, xingar recruta nossas faculdades de expressão ao máximo: o poder de combinação da sintaxe; a força evocativa da metáfora e a carga emocional das nossas atitudes, tanto as pensadas quanto impensadas. Traduzindo: palavrões são f*. Tão f* que nem os usamos só para xingar. Eles expressam qualquer emoção indizível, seja ruim, seja boa. Então, se um jogador de futebol grita palavrões depois de marcar um gol, ele não o faz por ser maleducado, mas porque só uma palavra saída direto do sistema límbico consegue transmitir o que ele está sentindo.

Outra prova de eficácia é que eles estreitam nossos laços sociais. Se você xingar alguém gratuitamente e o sujeito não ficar bravo, significa que ele é seu amigo. Daí que grupos de homens adoram usar cumprimentos como Fala, cuzão! Isso deixa claro que todos ali são íntimos. Perceber o xingamento como agressão ou ferramenta social depende do contexto, disse o psicólogo Timothy Jay, da Faculdade de Artes Liberais de Massachusetts, para a revista americana New Scientist. Num vestiário masculino, por exemplo, quem não xinga é o panaca.

Timothy Jay sabe do que está falando. É um expert em palavrões. Ele passou as últimas 3 décadas anotando as sujeiras que ouvia em lugares públicos. Juntou mais de 10 mil ocorrências. E colocou em números cientificamente rigorosos (na medida do possível) aquilo que você já sabia: foda e merda (ou fuck e shit) correspondem à metade de todos os palavrões ditos (em inglês) sem contar suas variantes.

Não é à toa. Como os palavrões nascem na parte primitiva do cérebro, quase todos versam sobre as duas coisas mais básicas da existência:

Veja só. Merda é um palavrão mais ofensivo que mijo, por sua vez mais pesado que cuspe, que nem palavrão é. Se você fosse excretar alguma dessas coisas na rua, essa também seria a ordem de impacto nas outras pessoas do mais para o menos chocante. Coincidência? Não. Não é por acaso que as substâncias que mais dão nojo também sejam vetores de doenças. A reação de repulsa à palavra é o desejo de não tocar ou comer a coisa, afirma o médico americano Val Curtis no livro Is Hygiene in Our Genes? (A Higiene Está nos Nossos Genes?, sem tradução para português).

Se é fácil entender por que excrescências são palavrões, não dá para dizer o mesmo sobre os termos ligados ao sexo. Afinal, sexo é bom, não? Não necessariamente. Ele traz altos riscos, incluindo doenças, exploração, pedofilia e estupro. Esses males deixaram marcas nos nossos costumes e emoções, diz Pinker. Foquemos em estupro. Do ponto de vista evolutivo, ele foi vantajoso para os homens. Pegar mulheres à força permitia que um macho fizesse dezenas, centenas de filhos, coisa que contou pontos no jogo da evolução. Já para as mulheres isso é o inferno. O papel delas é ter poucos, e bons, filhos. Então selecionar o pai é fundamental, e engravidar de alguém que a violentou, um baita prejuízo.

Daí foi natural que a expressão foder alguém virasse sinônimo de fazer um grande mal. Para entender isso melhor, complete a frase João ___ Maria para mostrar que eles transaram, usando apenas uma palavra. Quase todas as opções para preencher a lacuna são palavrões. Já os termos leves para relação sexual sempre carregam a preposição com: você pode dizer que João fez amor com Maria, dormiu com, fez sexo com, transou com... Todos os exemplos indicam que João e Maria participaram do sexo de igual para igual.

Com os palavrões, a história é outra. Eles deixam claro: Maria está sempre numa posição inferior. Note que a origem de fodido e seus equivalente não envolve o sexo apenas como uma ferramenta de submissão de homens contra mulheres. Mas de homens contra homens também. O estupro homossexual sempre foi, e segue sendo, uma forma eficaz de deixar claro num bando de machos quem é o chefe a violência sexual dentro dos presídios está aí para provar. A coisa é tão arraigada que até uma palavra inocente hoje, como coitado ou tadinho, sua variante mais fofa, significa aquele que sofreu o coito. Mas espera aí: como algo tão barra-pesada vira uma palavra até bonitinha? É o que vamos ver.

Que se dane!, diabos ou vá para o inferno já foi algo mais impactante. Claro: até décadas atrás não havia prognóstico pior que não ir para o céu quando morresse. Então, quando a idéia era insultar para valer, nada melhor que mandar alguém para o inferno. A perda de eficácia das palavras tabus relacionadas à religião é uma óbvia conseqüência da secularização da cultura ocidental, afirma Pinker.

Outra: quando a palavra câncer era sinônimo de morte, também não podia ser dita livremente. Nos obituários, a pessoa não morria de câncer, mas de uma longa enfermidade. Com os avanços no tratamento, a coisa mudou de figura, e câncer, apesar de ainda dar calafrios, virou uma palavra bem mais corriqueira.

As doenças em geral, na verdade, passaram por um processo parecido. Em Romeu e Julieta, de Shakespeare, por exemplo, há uma passagem dizendo: Que a peste invada as casas de ambos! Uma baita ofensa no século 16, quando a peste bubônica ainda era uma ameaça na Europa. Mas agora, no mundo limpo e cheio de antibióticos que a gente conhece, o xingamento shakespeariano parece inócuo.

E também há o inverso: palavras normais que viram tabu. Em algum momento da história do português um sujeito chamou pênis de pau. E uma palavra originalmente pura enveredava para o mau caminho. Nada mais comum: hoje ninguém se lembra mais de caralho como sendo a cestinha que ficava no alto do mastro dos navios, ou boceta como uma caixa pequena e redonda. A palavra vira tabu quando ganha um sentido simbólico, afirma o etimólogo Deonísio da Silva, da Universidade Estácio de Sá.

Mais uma mostra de como os palavrões flutuam com o espírito do tempo são as expressões que são tabu num lugar e não têm nada de mais em outro. Se você for a Portugal, vai ver que eles preferem cu e rabo para referirem-se às nádegas, e que coram quando alguém fala broche (o termo sujo para sexo oral).

Mas quem decide o que é palavrão e o que não é? Isso depende dos mecanismos de conservação da língua, que são o ensino, os meios de comunicação e os dicionários. As palavras relacionadas a sexo que não são palavrões são quase todas da literatura científica, como pênis e ânus, explica a lingüista Wânia de Aragão, da Universidade de Brasília. Não que isso impeça termos científicos de hoje, como pedófilo, de virar palavra suja um dia. A palavra esquizofrênico, por exemplo, nasceu na ciência, mas agora, com o aumento dos dignósticos de doenças mentais, caiu na boca do povo. E está virando xingamento.

Mas saber quais serão os palavrões do futuro é tão impossível quanto prever o futuro da tecnologia, da humanidade ou do Corinthians. O escritor e comediante inglês Douglas Adams, resumiu isso bem no clássico O Guia do Mochileiro das Galáxias. O livro diz que o palavrão mais sujo entre os habitantes dos outros planetas da Via Láctea é uma expressão bem conhecida dos terráqueos: bélgica.

Momento Nostalgia - Cavalo de Fogo

Como dizem que a melhor fase da nossa vida é a infância, quarta-feira será o dia de postar algo que faça lembrar dela. Iniciarei com o desenho do Cavalo de Fogo, que eu gostava bastante...


Wildfire (série animada)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Wildfire (Cavalo de FogoBR) é um desenho animado produzido por Hanna-Barbera em 1986. Foi originalmente exibido na rede de televisão norte-americana CBS. No Brasil, foi exibido pelo SBT.

História:
Quando era apenas um bebê, a princesa Sara foi salva das garras de uma bruxa maligna, conhecida como Lady Diabolyn, por um místico cavalo falante chamado Cavalo de Fogo, que a conduziu do planeta Dar-Shan para um local seguro, em um rancho em Montana, no oeste norte-americano. Ela é então cuidada por um homem conhecido como John Cavanaugh.
Por volta dos 13 anos de idade, Sara percebe que seu medalhão começa a brilhar. Logo, descobre que o amuleto é mágico e capaz de enviar um aviso ao cavalo que a salvou. O Cavalo de Fogo enfim conta à Sara sobre quem ela realmente é: a princesa do reino de Dar-Shan, situado em outra dimensão, filha da Rainha Sarana e do Príncipe Kevin. Sara descobre também que Diabolyn é irmã de sua mãe, sobre a qual Diabolyn lançou um feitiço para abdicar do trono.
Ao atravessar o portão dimensional para Dar-Shan, Sara conhece alguns aliados na luta contra Diabolyn: um feiticeiro chamado Alvinar (que também era conselheiro de sua mãe), um potro covarde chamado Brutus e seu dono, o jovem Dorin. Diabolyn, por sua vez, conta com ajuda de espectros demoníacos para se tornar a rainha de Dar-Shan, além de estranhas criaturas lideradas por Dweedle.